Advocacy: um dos diferenciais da grade do Ensino Médio no Sidarta

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Discussão de comitê temático na edição de 2024 da Simulação Interna Sidarta, o SIS

No Ensino Médio do Colégio Sidarta, o Advocacy é mais do que uma disciplina — é um espaço de formação cidadã que prepara os estudantes para compreender, argumentar e intervir no mundo de forma crítica e responsável.

Nas aulas de Advocacy, os alunos são orientados por uma equipe multidisciplinar de professores e aprendem a pesquisar, debater e defender causas reais, desenvolvendo habilidades essenciais para o século XXI.

Em entrevista ao blog Sidarta, o professor José Gaspar explica como o programa se consolidou como um dos diferenciais do Sidarta, unindo teoria e prática em experiências transformadoras, como o SIS (Simulação Interna Sidarta).

Professor Gaspar, há quantos anos você dá aula no Sidarta e em quais disciplinas?

Dou aula há pouco mais de 3 anos nas disciplinas de História e Advocacy.

Por favor, explica, para quem desconhece o termo, o que é advocacy?

Advocacy é um conjunto de ações voltadas para defender, promover ou influenciar uma causa, ideia ou política. O termo vem do latim advocare, que significa “chamar para ajudar” ou “defender”.

No contexto moderno, envolve atividades como argumentar em favor de direitos, propor mudanças em políticas públicas ou conscientizar a sociedade sobre questões importantes. É o ato de amplificar vozes, próprias ou de outros, para promover mudanças significativas em temas sociais, políticos ou jurídicos.

No que consiste o programa de Advocay do Colégio Sidarta?

No programa, os alunos são orientados por quatro professores que incentivam o desenvolvimento do senso crítico e a análise aprofundada de questões históricas e atuais, posicionando-os como protagonistas em debates e eventos relevantes.

Como funciona o programa?

Trata-se de uma disciplina com uma aula semanal inserida na grade curricular, destinada aos alunos do Ensino Médio (1ª à 3ª série). Atualmente, conta com a colaboração dos professores Diego, de Sociologia e Filosofia; José Mauricio, de Geografia; Silvia, de Português; e eu na parte de História; que, juntos, contribuem para uma abordagem multidisciplinar e aprofundada dos temas tratados. Além desses professores, temos a participação ativa da Paloma, coordenadora de Midiatecas, e da Simone, coordenadora do Ciclo 3, que vai do 8º ano à 3ª série do EM.

E como funciona o SIS – a Simulação Interna Sidarta?

O SIS é o ponto culminante de todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano na disciplina de Advocacy. Desde o início do ano, os alunos participam ativamente da escolha dos temas a serem trabalhados em cada um dos comitês que constituem o evento: Jurídico, Histórico, Diplomático e de Imprensa. Após a definição dos temas, os alunos são alocados nos comitês conforme suas preferências, iniciando as atividades. Durante o ano letivo, os temas são explorados em profundidade, e simulações prévias são realizadas para familiarizar os alunos com o sistema de debates.

Em 2025, os temas escolhidos para os comitês Jurídico, Histórico e Diplomático foram a COP30, a Guerra do Iraque e o assassinato de Chico Mendes. Já o Comitê de Imprensa tem a responsabilidade de acompanhar os demais comitês, criar sites e jornais, e noticiar todos os eventos no dia da simulação.

Nas aulas, os comitês se reúnem para aprofundar estes assuntos. No Comitê Histórico, por exemplo, os alunos estão realizando um intensivo sobre o Oriente Médio, explorando aspectos como cultura, etnias, religiosidade e conflitos históricos. Esse aprofundamento é essencial para que, no dia do SIS, eles desempenhem com excelência o papel de delegados representantes dos países.

Professor José orienta estudantes durante sessão do SIS

Existem outras atividades, além do SIS, que envolvem a disciplina?

O Colégio Sidarta também valoriza a integração do Advocacy com as viagens de campo, conectando teoria e prática. No ano passado, durante os estudos sobre o rompimento da barragem de Mariana, os alunos viajaram para Minas Gerais, onde visitaram comunidades afetadas, conversaram com representantes da empresa responsável e observaram os impactos ambientais de perto.

Este ano, em preparação para o debate sobre a COP30, os alunos tiveram a oportunidade de visitar Manaus e o Pará, enriquecendo ainda mais sua compreensão sobre os desafios climáticos e ambientais.

Na sua experiência, você destacaria algum momento marcante protagonizado pelos alunos?

Ao longo dos anos, tivemos diversas experiências marcantes em que os alunos mergulharam profundamente nos papéis que interpretaram. Uma aluna tímida, por exemplo, surpreendeu ao se transformar completamente durante um debate no comitê jurídico.

Em outra ocasião, um aluno que representava a URSS durante a crise de Chernobyl demonstrou intensa emoção ao enfrentar uma situação desafiadora criada no debate. Esses são apenas alguns dos muitos exemplos que evidenciam o envolvimento e a evolução dos participantes.

Num mundo em que estamos cercados por um volume cada vez maior de informações nem sempre confiáveis, como defender uma causa com argumentos sólidos? Como é esse trabalho com os estudnates?

O grande desafio atual é a integração da Inteligência Artificial no processo de aprendizado. Essa ferramenta, cada vez mais presente, exige que orientemos os alunos para utilizá-la de forma eficiente e responsável. A IA é empregada para esclarecer dúvidas e iniciar pesquisas, sempre complementadas por conferência em fontes oficiais. O objetivo é ensinar os alunos a aproveitar seus benefícios com discernimento, priorizando a qualidade e a confiabilidade das informações. Nosso foco não está em utilizar nomes de referência, mas em desenvolver habilidades de pesquisa, compreender as diferenças entre fontes primárias e secundárias, explorar o funcionamento de conselhos e comitês internacionais, e aprofundar-se nos temas estudados de maneira crítica e contextualizada.

Por fim, o que se espera que os alunos levem da passagem pelo Advocacy?

Esperamos que eles se tornem indivíduos críticos, engajados e preparados para compreender e intervir no mundo ao seu redor. Queremos que eles desenvolvam habilidades de pesquisa, argumentação e colaboração, além de uma consciência profunda sobre questões globais e locais. O objetivo é formar cidadãos capazes de defender ideias com embasamento, respeitar diferentes perspectivas e atuar de maneira ética e responsável em suas comunidades e no cenário internacional.

Colégio Sidarta