No Colégio Sidarta, as assembleias são práticas que fazem parte da rotina dos estudantes de todos os anos e séries – tanto nos encontros periódicos que cada turma realiza individualmente, como nas reuniões extraordinários que reúnem todas as turmas semestralmente.
Trata-se de um momento em que os alunos são incentivados a pensar criticamente, a dialogar e a criar, juntos, formas de resolver questões do cotidiano escolar.


Confira na entrevista com a professora mentora Alba Berbet como essa prática promove integração, fortalece vínculos e cultiva uma cultura de respeito.
Na turma da qual você é mentora no momento, a do 4º ano, que tipo de demandas aparecem?
As principais demandas estão relacionadas à necessidade de fortalecer a comunicação respeitosa entre os alunos e toda a comunidade escolar.
Também são recorrentes situações de conflitos interpessoais, questões ligadas ao descarte inadequado de lixo nas dependências da escola e solicitações por melhorias em itens de uso coletivo, como bolas de futebol e basquete.
Além disso, surgem reclamações sobre a qualidade dos uniformes escolares e apontamentos sobre aspectos do funcionamento do restaurante escolar.
Como acontece, nessa faixa etária, o amadurecimento das pautas coletivas? Você vê, ao longo do ano, um ganho de consciência sobre o papel individual de cada um no coletivo?
O amadurecimento das pautas coletivas nessa faixa etária ocorre de forma gradual, por meio da prática e da vivência diária. Inicialmente, os alunos tendem a trazer questões individuais ou pontuais.
No entanto, com o tempo e com a mediação do mentor — por meio de escuta, diálogo e paradas para reflexão — eles começam a desenvolver uma consciência maior sobre o impacto de suas ações no grupo.
Aos poucos, as discussões se aprofundam e passam a considerar o bem coletivo, demonstrando um avanço significativo na compreensão do papel de cada um dentro da comunidade escolar.
Você conseguiria dar um exemplo de caso interessante tratado em uma assembleia?
A escola usa, nos pés das cadeiras das salas de aula, uma bolinha de tênis, semiaberta, para evitar atrito e barulho com chão. Essa ideia surgiu a partir de uma reflexão e busca de solução nos grupos de assembleia.
A segunda sem carne praticada no restaurante que atende a comunidade escolar também é outro exemplo de ideia que nasceu numa assembleia.
Como você vê a integração dos pequenos com os adolescentes nas assembleias que reunem semestralmente todas as turmas?
Vejo essa integração como uma oportunidade muito rica. Os alunos menores enxergam nos mais velhos exemplos a serem seguidos e, em muitos aspectos, acabam se espelhando em suas atitudes.
Isso contribui para uma mudança de postura bastante positiva, estimulando comportamentos mais responsáveis e uma maior compreensão do convívio coletivo. É um momento valioso para fortalecer vínculos entre as diferentes faixas etárias e cultivar uma cultura de respeito e colaboração na escola.
Qual o seu maior desafio como mentora? E o que é mais satisfatório no dia a dia?
Um dos maiores desafios como mentora é lidar com as diferentes demandas emocionais e comportamentais dos alunos, respeitando o tempo e a individualidade de cada um.
Promover a escuta ativa, o senso de pertencimento e o diálogo construtivo exige constância, paciência e intencionalidade. E o que mais traz satisfação é perceber a evolução na escuta entre eles e a buscar por soluções coletivas para as questões do dia a dia.