Como a abordagem Mentalidades Matemáticas potencializa o ensino da disciplina no Colégio Sidarta

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Estudantes do Colégio Sidarta trabalhando em grupo durante a aplicação de uma atividade Mentalidades Matemáticas com a professora Pamella Freire

Durante muito tempo, aprender Matemática significou decorar fórmulas, repetir procedimentos e acreditar que apenas algumas pessoas “nascem com talento” para a disciplina. Hoje, a ciência mostra justamente o contrário: todos podem aprender Matemática em altos níveis quando encontram um ambiente que valoriza a investigação, o pensamento, a colaboração e o erro como parte do processo.

É essa visão que orienta o ensino de Matemática no Colégio Sidarta.

Como escola de aplicação do Instituto Sidarta, o colégio participa do desenvolvimento, da pesquisa e da implementação de abordagens educacionais inovadoras. Entre elas está o programa Mentalidades Matemáticas, uma iniciativa cocriada pelo Instituto Sidarta e pelo centro de pesquisas Youcubed, da Universidade de Stanford, que vem contribuindo para transformar o ensino da Matemática em todo o território brasileiro desde 2016. A abordagem reúne contribuições da neurociência, da psicologia da educação e da educação matemática para promover uma aprendizagem mais equitativa, criativa, visual e significativa.

Neste artigo, você vai entender

✔ O que são as Mentalidades Matemáticas

✔ Como essa abordagem faz parte da proposta pedagógica do Colégio Sidarta

✔ Como professoras e professores são preparados para transformar a aprendizagem em sala de aula

✔ O que os estudantes dizem sobre essa experiência

✔ Como o programa vem impactando a educação matemática no Brasil

O que são as Mentalidades Matemáticas?

A abordagem Mentalidades Matemáticas partem de um princípio simples, mas profundamente transformador: o cérebro aprende continuamente e se desenvolve diante de desafios.

Isso significa abandonar a ideia de que algumas pessoas “são boas em Matemática” enquanto outras simplesmente não nasceram para isso. Em seu lugar, a abordagem incentiva uma mentalidade de crescimento, na qual o esforço, a investigação, a curiosidade e a construção coletiva do conhecimento são valorizados como elementos essenciais da aprendizagem.

Na prática, as aulas deixam de privilegiar apenas respostas rápidas e procedimentos únicos para abrir espaço para diferentes estratégias de resolução, discussões entre os estudantes, conexões entre conceitos e problemas que estimulam o pensamento matemático.

Como essa abordagem aparece no cotidiano do Sidarta?

No Colégio Sidarta, as Mentalidades Matemáticas fazem parte da proposta pedagógica da escola e orientam a forma como a Matemática é ensinada ao longo da jornada dos estudantes.

Isso significa que, durante as aulas, é comum observar alunos:

  • investigando problemas antes de receberem um procedimento pronto;
  • compartilhando diferentes formas de chegar à mesma solução;
  • utilizando representações visuais, materiais e recursos variados para compreender conceitos;
  • trabalhando em grupos colaborativos, argumentando e aprendendo uns com os outros;
  • entendendo o erro como uma oportunidade para aprofundar o raciocínio, e não como um sinal de incapacidade.

Nesse contexto, o papel do professor também se transforma. Em vez de apenas apresentar respostas, ele cria situações que provocam reflexão, faz perguntas que ampliam o pensamento dos estudantes e incentiva cada aluno a desenvolver confiança para enfrentar desafios matemáticos cada vez mais complexos.

Para Cris Akemi, professora de Matemática do Colégio Sidarta, o investimento no planejamento das aulas é recompensado pelo envolvimento e pelo desenvolvimento dos estudantes.

Uma aula de Mentalidades Matemáticas não é trivial de preparar, mas vale a pena. Ver os estudantes envolvidos do início ao fim, curiosos, desafiados e construindo raciocínios que muitas vezes vão além do esperado para a faixa etária é um privilégio para quem ensina.

Cris Akemi, professora de Matemática do Colégio, aplicando a atividade MM conhecida como Conversa de Manchas com turma do Ciclo 2

Muito além da Matemática

Embora tenha sido desenvolvida para o ensino da Matemática, a abordagem fortalece competências importantes para toda a vida escolar.

Ao lidar com problemas abertos, justificar estratégias e construir soluções em conjunto, os estudantes desenvolvem autonomia intelectual, pensamento crítico, criatividade, comunicação e colaboração — habilidades essenciais para enfrentar desafios dentro e fora da escola.

Essa forma de aprender também contribui para reduzir a ansiedade frequentemente associada à Matemática. Em vez de buscar apenas acertar rapidamente, os alunos aprendem a valorizar o processo de construção do conhecimento.

Uma escola que pesquisa aquilo que ensina

Jack Dieckmann, pesquisador da Universidade de Stanford, acompanhando pessoalmente aulas de Matemática em uma das visitas anuais que faz ao Sidarta acompanha pessoalmente algumas aulas no Sidarta

Como escola de aplicação do Instituto Sidarta, o Colégio Sidarta funciona como um espaço permanente de pesquisa, experimentação e aprimoramento de práticas pedagógicas.

Essa característica faz com que a abordagem Mentalidades Matemáticas seja continuamente estudada, testada e aperfeiçoada dentro da própria escola. As experiências vividas nas salas de aula alimentam pesquisas, produzem conhecimento e contribuem para o desenvolvimento de formações, publicações e materiais utilizados por milhares de educadores em todo o país por meio do programa.

Ao mesmo tempo, esse movimento retorna para a escola na forma de formação continuada da equipe pedagógica. Ao longo de todo o ano letivo, os docentes participam de um plano permanente de formação desenvolvido em parceria com o Youcubed. Os encontros combinam estudos teóricos, vivências práticas e momentos de planejamento coletivo, permitindo que os professores aprofundem tanto os fundamentos científicos da abordagem, quanto os conceitos matemáticos que estruturam o currículo.

As formações acontecem por segmento — Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio —, mas também promovem o diálogo entre os diferentes ciclos. O objetivo é construir uma visão integrada da aprendizagem, compreendendo como os conhecimentos matemáticos evoluem ao longo da escolaridade e fortalecendo as conexões entre aquilo que os estudantes já aprenderam e o que irão construir nos anos seguintes.

Para Maira Costa, gerente pedagógica do programa Mentalidades Matemáticas, o diferencial deste trabalho está no ciclo permanente de pesquisa, formação e prática, que garante aos estudantes do Sidarta contato com abordagens fundamentadas em evidências científicas e constantemente aperfeiçoadas pela equipe da escola.

Os professores vivenciam, durante a formação, o modelo de como uma aula de Matemática acontece pela perspectiva das Mentalidades Matemáticas. Além disso, pensamos na avaliação, na estrutura lógica dos conteúdos e em como as grandes ideias da Matemática se constroem ao longo de toda a trajetória escolar. Também estudamos profundamente as bases teóricas que deram origem ao programa, e não apenas sua aplicação prática.

Na voz dos estudantes: como as Mentalidades Matemáticas transformam a aprendizagem

Os impactos da abordagem podem ser percebidos também nos relatos dos próprios estudantes, que destacam uma relação mais criativa, colaborativa e significativa com a Matemática. É o que revela o relato da Letícia, por exemplo.

Um dia, numa atividade que estava super difícil, ele [o professor Eduardo Passos] me explicou visualmente e aí o mundo fez sentido para mim. A abordagem é super colaborativa: todo mundo aprende e todo mundo sai ganhando, com mais conhecimento do que já tinha.

Para Rafaela, as atividades de Mentalidades Matemáticas são um dos momentos mais esperados das aulas.

As melhores aulas de Matemática são quando o professor chega e fala que vai ter uma atividade de Mentalidades Matemáticas, porque eu posso me soltar, ser criativa.

Já Enrico, ex-aluno da escola, resume a transformação proporcionada pela abordagem:

Para quem tem dificuldade de entender Matemática, eu diria que essa pessoa só ainda não conheceu Mentalidades Matemáticas, porque elas apresentam diferentes formas para se entender o mundo e entender a Matemática.

Quer conhecer um exemplo dessa abordagem em ação? Leia também Ensino de Matemática no Colégio Sidarta é pauta no Estadão e no podcast Dois Pontos.

Mentalidades Matemáticas: um movimento que transforma o ensino da Matemática no Brasil

O impacto das Mentalidades Matemáticas vai muito além das salas de aula do Colégio Sidarta. Desde sua chegada ao Brasil, em 2016, o programa vem contribuindo para transformar o ensino da Matemática em redes públicas e privadas de todo o país, aproximando professores e estudantes de práticas pedagógicas fundamentadas em evidências científicas.

Atualmente, a iniciativa já formou mais de 18 mil docentes e alcançou cerca de 1,6 milhão de estudantes, consolidando-se como uma das principais referências brasileiras em inovação para o ensino da Matemática. Além das formações continuadas, o programa desenvolve pesquisas, produz materiais didáticos, promove seminários nacionais, organiza encontros de educadores e estabelece parcerias com secretarias municipais e estaduais de educação para democratizar o acesso a uma aprendizagem matemática mais equitativa e significativa.

Sua atuação está presente em diferentes regiões do Brasil, por meio de projetos realizados em parceria com redes de ensino e instituições públicas. Apenas em 2026, o programa lançou o Jornadas MM, inciativa com foco na formação de formadores de docentes, que, em sua primeira aplicação, reúne equipes de Educação 8 municípios paulistas, além de manter projetos em 22 cidades do estado do Mato Grosso do Sul. Somam-se a essas ações as formações oferecidas nas 5 regiões do país ao longo da última década, o que revela o alcance nacional do programa.

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