Expedição Sidarta: um mundo de aprendizados para além da sala de aula

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O Colégio Sidarta foi pioneiro em introduzir viagens de estudos na proposta pedagógica para os estudantes das mais variadas idades. Chamadas de Expedições Sidarta, as viagens nascem a partir de um dos princípios filosóficos que guia o trabalho da instituição, aquele que diz que “teorias não substituem experiência de vida”.

Expedição pela Serra da Capivara
Estudantes exploram o Parque Nacional da Serra da Capivara, PI

Uma vez por ano, os estudantes do 1º ao 8º anos do Ensino Fundamental embarcam para um destino específico, acompanhados da equipe pedagógica do colégio. Durante a expedição, os estudantes têm a oportunidade de entender que, na vida real, as frentes de aprendizado coexistem. Conhecimentos estudados pelas diferentes ciências – da natureza, as sociais – se cruzam e a interdisciplinaridade é vivida na prática. A experiência de estar em outras realidades, distintas das que estão acostumadas, leva a reflexões profundas e reforçam um outro princípio do colégio: “sabedoria é reconhecer a unidade que existe na diversidade.”

Durante esta aventura imersiva, os estudantes aprimoram a capacidade de conviver em grupo, aprendem a tomar  decisões coletivas e se entendem como parte de um todo. Um processo que potencializa o desenvolvimento socioemocional de cada aluno e aprimora o vínculo com colegas e professores.

Com o ano letivo se aproximando do fim, convidamos nossas coordenadoras pedagógicas a contar um pouco mais sobre as Expedições de 2024. 

Expedição Cananéia 

De 11 a 13 de setembro, os alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental viajaram para a região de Cananéia, SP, e o relato fica por conta de Adriana Santos, coordenadora do Ciclo 1: 

“As crianças nessa faixa etária são ainda pequenas, então a gente faz um planejamento rigoroso para dar segurança  para as famílias. Levamos um time de professores da escola bem reforçado, fazemos uma dinâmica antes da viagem em que as crianças levam a mala para a escola, para que elas mesmas saibam abrir, conferir e separar as coisas. Isso vai criando nelas uma autoconfiança, e vai lhes dando autonomia. Durante a viagem, um olhar atento identifica se alguém está mais inseguro, ou com saudades de casa, e a parceria com as famílias, novamente, é fundamental. A gente vai administrando esses sentimentos com eles e percebe o quanto eles crescem nesse processo.

Registrando aprendizados no caderno de campo na viagem pela região de Cananéia, SP

Essa viagem foi muito rica: fizemos a travessia de Cananéia para a Ilha do Cardoso, fomos para Iguape, que nem estava na programação inicial, mas que acomodamos porque tinha a ver com um conteúdo que eles tinham visto em sala de aula. Durante a viagem, o nosso cuidado com a confecção do caderno de campo, que começamos a trabalhar com eles semanas antes, mostrou a sua importância! O que vimos ali foram crianças perguntadoras, curiosas, com verdadeiro prazer em aprender.

A entrada no manguezal foi um dos pontos altos da expedição, muito surpreendente. A alegria deles na confraternização final na pizzaria também foi linda de vivenciar. Eles assistiram uma apresentação de fandango e se empolgaram, foram cantar e dançar no palco. 

Como coordenadora, eu fico muito orgulhosa, tanto da equipe Sidarta, que com um olhar sensível e acolhedor acreditou nas crianças e proporcionou provocações que aguçaram a curiosidade, quanto dessas crianças que se permitiram explorar e conhecer cada experiência com entusiasmo e resiliência do cansaço físico e emocional que uma viagem como essa proporciona.”

Expedição Saco do Mamanguá

O Saco do Mamanguá foi o destino dos alunos do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, entre os dias 15 e 19 de abril, conforme conta Melissa Bittencourt, coordenadora do Ciclo 2:

“A viagem é uma oportunidade de observar os estudantes em um ambiente muito diferente, e também de eles nos verem também de uma outra forma. É um intensivão: a gente acorda junto, vai tomar café, vive aventuras durante o dia, depois dorme junto…  Cria-se um vínculo novo! A gente percebe que os alunos também ficam mais unidos entre eles, porque passam juntos pela experiência de se virar em outra realidade.

Outras escolas com que já tive contato costumam entender as viagens como oportunidade de vivenciar um conteúdo específico. Como a busca da experiência está no nosso DNA, a Expedição Sidarta não é algo isolado, não é para aprender um único conteúdo. A gente engloba diferentes saberes com habilidades socioemocionais e com a experiência sensorial, já que os aprendizados passam pelo corpo.

Expedição pelo Saco do Mamanguá, em Paraty, RJ
Visita à comunidade do Saco do Mamanguá, em Paraty, RJ

A experiência no Saco do Mamanguá foi incrível: eles experimentaram a culinária caiçara e vivenciaram oficinas com a comunidade local, além de fazer mergulho, canoagem, trilhas e passeios de escuna. A botânica e a geografia dessa região de Paraty, no Rio de Janeiro, é muito diversa e o caderno de campo, confeccionado especialmente para a ocasião, funciona como um guia com informações preciosas sobre a história, a fauna, a flora e a cultura do lugar, além de servir como suporte para desenhos, perguntas, pensamentos e anotações.”

Expedição Serra da Capivara

Entre os dias 19 e 24 de agosto, as turmas de 6º e 7º ano do Ensino Fundamental estiveram na Serra da Capivara, como também relata Melissa Bittencourt, coordenadora do Ciclo 2:

“Não é fácil fazer uma viagem com as crianças para a Serra da Capivara, um lugar fora do circuito tradicional. Existe um desgaste físico, o calor, as longas distâncias, mas vale a pena! Lá a gente tem um dos maiores patrimônios da humanidade, mais de 200 sítios arqueológicos, alguns deles com mais de mil pinturas. É uma aula de pré-história a céu aberto como não se vê em outros lugares do mundo!

Pinturas rupestres e o grupo de expedicionários da Serra da Capivara, PI

Os meninos têm contato com muitas coisas diferentes. No Parque Nacional da Serra da Capivara, puderam chegar a um metro de distância de pinturas rupestres de períodos diferentes, bastante conservadas. Conheceram a história da implantação desse Parque, centrado na figura da Niéde Guidon, com todas as suas nuances e questões sociais. Visitamos a Novo Zabelê, uma comunidade de maniçobeiros, que foi removida para a criação do parque. Além disso, eles viram de perto o bioma da Caatinga, os modos de vida de quem vive com restrição séria de água, e tiveram contato com fósseis encontrados nas escavações arqueológicas de uma megafauna desaparecida há milhões de anos!  

É importante frisar que a expedição tem uma função pedagógica, não é só um passeio. A preparação começa bem antes do embarque: a gente faz e distribui os cadernos de campo para provocar a curiosidade. Durante a viagem, a gente se reúne ao final de cada dia para refletir, mas o processo não se encerra em si. Na volta, os registros feitos no caderno são a base de uma apresentação que as crianças fazem nas plenárias da Mostra Cultura, para contar, em primeira pessoa, o que aprenderam em campo, em um evento aberto à comunidade Sidarta”.

Expedição Jardim da Amazônia

A região chamada de Jardim da Amazônia foi a escolhida para os alunos do 8º ano. A viagem aconteceu de 03 a 07 de junho, como descreve Simone Violante, coordenadora do Ciclo 3:

“Nesta expedição, pudemos vivenciar a aventura de um pesquisador em campo com as crianças, foi muito interessante. Essa região que visitamos, no Mato Grosso, está em um corredor ecológico preservado em uma propriedade chamada de Jardim da Amazônia. Esse lugar, que virou um centro de pesquisas, recebe pesquisadores de todo o mundo para avistamento de pássaros (alguns que não eram vistos há décadas) e também de primatas. 

O Sidarta foi a primeira escola aqui do estado de São Paulo a levar os estudantes para ficar lá por vários dias e realmente entrar na rotina de acordar antes do amanhecer para ver os pássaros, escutar os macacos, fazer silêncio para não espantar os animais, identificar pegadas de anta, de onça… Tem muita atividade prática nesse sentido!

Primeiras experimentações como pesquisadores de campo no Jardim Amazônia, MT

O contraponto dessa experiência foi conhecer uma fazenda de soja e milho, com aquelas máquinas gigantescas. A gente viu de perto a força desse agronegócio, entendeu sobre a rotação de culturas e as diferenças entre as fazendas de gado. Também pudemos estabelecer relações entre este tipo de agricultura e a familiar que já havíamos estudado anteriormente. O fim da viagem foi em Nobres, onde fizemos uma  flutuação e pudemos, novamente e agora já ambientados, ver e ouvir pássaros e macacos. Foram 5 dias em que eles viram grandes diferenças na paisagem – cerrado, grandes fazendas, mata amazônica – e perceberam as características de cada bioma.

As famílias são muito parceiras na decisão da escola de ninguém levar celular, só os professores. Isso faz com que os estudantes realmente estejam lá o tempo todo. Foi bonito de ver, no último dia, todo mundo escrevendo no caderno de campo – que, não seria de preenchimento obrigatório. Dissemos a eles: ‘não faça porque vale nota, mas sim porque é importante para você registrar suas reflexões e impressões da viagem”.

Andoriar e as viagens do 9º ano e do Ensino Médio

A partir do 9º ano, tradicionalmente os alunos realizam viagens voltadas ao trabalho volunário, que fazem parte do Projeto Andoriar. Em 2024, esta experiência foi ampliada a partir da proposta de equipe pedagógica de trazer alguns objetivos das Expedições para estas viagens.  “A gente aproveitou e incluiu conteúdos de produção textual, história, geografia, química… As turmas visitaram áreas afetadas pelo rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho. Com isso, eles puderam estudar in loco o que estavam vendo em sala de aula, em um processo que começou no início do ano, com palestras e conversas sobre a região. No pós-viagem já se desdobrou no SIS (o ciclo de debates inspirado na ONU promovido pelo colégio) e vai ter um também espaço importante na Mostra Cultura”, finalizou a coordenadora do Ciclo 3 Simone.

Colégio Sidarta