Formação Pedagógica 2026: a preparação para o ano letivo no Colégio Sidarta

Ícone de relógio 6 min. de leitura

Para marcar o início dos trabalhos em 2026, o Colégio Sidarta dedicou duas semanas inteiras a algo que considera essencial: o preparo cuidadoso de quem educa. Entre os dias 19 e 30 de janeiro, professores e mentores participaram de uma formação pedagógica intensa, com foco em propiciar a melhor experiência possível para os alunos.

“A formação é essencial, especialmente em um contexto em que a informação circula de forma cada vez mais rápida e exponencial. Mais do que transmitir conteúdos de maneira linear, o objetivo é proporcionar experiências em que os educadores vivenciem o mesmo percurso dos estudantes: entrar em contato com os temas, dialogar com os pares, construir estratégias e refletir sobre os desafios de cada abordagem, planejando sua aplicação ao longo do ano letivo”, afirma Cida Schleier, diretora do Colégio Sidarta.

A programação incluiu encontros com especialistas, momentos de estudo coletivo e de planejamento por ciclos. Foi também um momento para alinhar práticas, aprofundar conceitos e compartilhar ferramentas para apoiar o desenvolvimento dos diversos projetos e vivências previstas para o ano.

“Por meio do formato de imersão, nossa ideia é despertar o interesse para que o educador siga estudando, pesquisando e se aprofundando ao longo do ano. Somos uma comunidade de aprendizes: o professor também é um eterno aprendiz, que precisa continuar buscando conhecimento para qualificar sua prática”, completa Cida.

Pensando o futuro da educação

A primeira atividade foi conduzida por Fabiana Fragiacomo e Adriana Higashi, da Gloppies: uma oficina de Letramento em Futuros. A proposta convidou os educadores a refletirem sobre os desafios contemporâneos da educação e sobre como preparar crianças e jovens para um mundo em constante transformação.

“Quanto mais eu leio, estudo sobre futuros, mais me convenço de que ele não é sobre tecnologia. Ele é sobre gente. É sobre como a gente lê o mundo, como a gente toma decisão, como a gente se prepara e prepara crianças e jovens, não para um único caminho, mas para muitos caminhos possíveis. Por isso, a oficina foi sobre ampliar o olhar, questionar certezas e experimentar outras formas de pensar e de ver o que vem pela frente”, detalhou Fabiana.

Adriana complementou: “O futuro é plural, não oficial e vivo. Por isso precisamos que todos possam participar dessa construção, com lentes diversas e imagens mais positivas e esperançosas. Precisamos abandonar um pouco as imagens distópicas e criar imagens de futuros que queremos e desejamos viver. O letramento em futuros apoia tanto educadores quanto estudantes nisso”.

Alinhamento institucional e planejamento do ano

O segundo dia de atividades foi dedicado ao alinhamento institucional. Foram apresentados o calendário de eventos escolares, o tema transversal que vai embasar as diferentes atividades planejadas para o ano, além dos destinos das Expedições Sidarta e das viagens do Projeto Andoriar. Durante o encontro, também foi lançada a 5ª edição do programa Educar para Além do Óbvio.

Refletindo sobre o ensino de Matemática no Sidarta e no mundo

No dia 21 de janeiro, tanto a equipe pedagógica, quanto a administrativa e ainda as famílias Sidarta foram convidadas para uma exibição exclusiva do documentário Counted Out. A ação foi promovida pelo Mentalidades Matemáticas (MM), programa do Instituto Sidarta que atua na formação continuada dos docentes do colégio e dissemina, pelo país, uma abordagem inovadora ao ensino da disciplina. A partir de histórias reais, o documentário mostra como a Matemática faz parte das decisões que influenciam a nossa vida em sociedade, nossos sistemas econômicos e até a democracia.

Ao revelar como o domínio da Matemática é determinante para que cada um de nós possa exercer a sua cidadania, o filme representa um chamado a nossa responsabilidade como comunidade de educadores. Queremos que ele seja o disparador de uma reflexão profunda sobre como estamos equipando nossos jovens para transformar o mundo por meio de números dos números, dentro e fora dos muros da escola”, comenta Isabel Cortellini, gerente do programa MM.

Aprimorando práticas pedagógicas com foco na inclusão

A educação inclusiva também foi destaque das semanas de formação. Com Thais Rodrigues, a equipe participou de dinâmicas sobre o desenho universal para aprendizagem (DUA): um modelo de inclusão e adaptação que oferece estruturas de aula capazes de atender às diferentes formas de aprendizagem dos alunos. Como indica Thais, “assim, quem aprende melhor de forma visual tem acesso a recursos visuais; quem aprende ouvindo, a estímulos auditivos; e quem aprende escrevendo, a propostas que envolvem a escrita”.


A equipe também entrou em contato com o protocolo do currículo COACH, que ensina a realizar adaptações mais específicas em diferentes níveis. “O mais importante é passarmos a olhar para o grupo como um todo, sem deixar de enxergar cada estudante como um indivíduo único, que aprende de forma singular. A partir desse olhar, conseguimos estruturar modelos e organizar aulas em que todos aprendam sem se sentirem diferentes ou excluídos, compreendendo que suas diferenças não são algo negativo, mas aquilo que os torna únicos e individuais”, complementou a pedagoga.

Já com Paula Rosa e Gabriela Calvo, professores e mentores refletiram sobre como receber estudantes surdos na escola. “Vimos professores extremamente empenhados, com o desejo genuíno de fazer mais e melhor. Como alguém apaixonada pela língua de sinais e pela comunidade surda, o que mais me tocou foi a sensação de estar plantando sementes e de ver, nestes educadores, essas sementes ganhando vida”, comentou Paula

Além de noções sobre a Língua Brasileira de Sinais, Paula e Gabriela indicaram caminhos para tornar os ambientes escolares mais acessíveis. “A acessibilidade é mais do que afirmar que um espaço é acessível ou adaptar aquilo que precisa ser adaptado. Ela está, principalmente, em fazer com que quem precisa se sinta pertencente.”, apontou Gabriela.

Saúde e bem-estar no ambiente da escola

Outro eixo da formação foi o cuidado integral. Os educadores refletiram sobre alimentação, saúde e equilíbrio dentro e fora do ambiente escolar, numa conversa com Sophie Deram, nutricionista consultora do Quitanda Escolas, parceiro do Sidarta na operação do restaurante do colégio.

“Hoje, muitos quadros de transtornos alimentares, além de questões relacionadas à obesidade ou à magreza extrema, têm origem em uma preocupação excessiva com o alimento e com o corpo. Falar com professores foi especialmente prazeroso, porque eles são extremamente importantes no processo educativo. Se conseguirmos educar crianças e jovens em paz com o corpo e com a comida, estaremos oferecendo a eles um presente extremamente valioso para a vida futura”, compartilhou Sophie.

“Sentimos uma necessidade grande de estar próximos dos educadores. Essa é uma conexão que queremos estimular cada vez mais, para que possamos aprofundar temas que são importantes e garantir que tudo aquilo que está no nosso guia de alimentação se traduza em ações concretas no dia a dia. A ideia é que tanto as crianças, quanto as famílias percebam o carinho com que cuidamos da alimentação”, afirmou Gustavo Ikeda, diretor geral do Quitanda, que também participou do encontro.

A agenda incluiu ainda a apresentação do Projeto Meliponário Sidarta, que integra educação ambiental, ciência e responsabilidade coletiva.

Ensino para equidade em pauta

Numa parte da formação facilitada pelo Instituto Canoa, professores e professoras puderam se aprofundar em um dos pilares da metodologia Sidarta: o Ensino para Equidade (EpE).

“No encontro, trabalhamos com o que chamamos de construtores de habilidades. Esses construtores nos ajudam a ensinar aos estudantes quais são os comportamentos e atitudes que desejamos ver quando eles estão trabalhando com outros colegas para aprender. Fazemos isso por meio de propostas pensadas para ajudar as crianças a aprenderem a colaborar”, detalhou Mila Molina, diretora pedagógica do instituto.

“Convidamos os educadores a desenhar algumas formas geométricas utilizando o tangram e a descrevê-las para os colegas, para que eles consigam reproduzi-las. O desafio é que ninguém vê a figura do outro, o que exige comunicação clara e cooperação constante. Com essa vivência, exercitamos duas normas fundamentais para o trabalho em grupo. A primeira é: todos ajudam. Isso significa que somos recursos uns para os outros e colaboramos para que todos cheguem ao objetivo comum. A segunda é: explique como, explique com detalhes. Ao compartilhar ideias e trabalhar em conjunto, é essencial sermos claros, precisos e compreensíveis”, complementou Kaique Menezes, formador do Canoa.

Durante o encontro, a equipe pedagógica ainda desenvolveu conjuntamente um plano de ação para implementar as propostas de ensino para equidade no dia a dia da escola, considerando as especificidades de cada turma do Sidarta.

Planejamento por ciclos de ensino

Na semana de 26 a 30 de janeiro, o foco esteve nas formações específicas por ciclo, que compreenderam o planejamento pedagógico, a organização das salas, alinhamentos curriculares e demais preparações para a chegada dos estudantes.

“As formações específicas por ciclo são pensadas a partir dos desafios e das necessidades de cada etapa da escolaridade. É quando os educadores se debruçam sobre as habilidades que precisam ser fortalecidas e os conhecimentos essenciais em cada fase”, relatou Cida Schleier, diretora do Colégio.

As dinâmicas foram organizadas por área de conhecimento e envolveram formações na área de Linguagens, com atenção à progressão da Língua Portuguesa ao longo do currículo e às habilidades esperadas para cada faixa etária; e imersões com foco na abordagem Mentalidades Matemáticas.

Atividades voltadas ao desenvolvimento de hábitos de estudo e aprofundamentos nas áreas de Ciências da Natureza e Ciências Humanas completaram a semana, garantindo que o planejamento por ciclo se traduza em práticas pedagógicas consistentes com o dia a dia da escola.

Colégio Sidarta