
Buscar uma medalha é apenas uma pequena parte de tudo que a participação em olimpíadas científicas pode trazer para a vida de um estudante.
No Colégio Sidarta, essas experiências fazem parte de um percurso que envolve curiosidade, autonomia, organização dos estudos e a oportunidade de cada aluno avaliar seus próprios conhecimentos em diferentes contextos.
Para entender como esse trabalho é construído no cotidiano da escola, conversamos com a professora Andreza Silva, que acompanha, ao lado do laboratorista Bruno Cordeiro, a participação dos estudantes do Colégio em diferentes competições.
Nesta entrevista, eles contam como esse processo acontece e como essas experiências potencializam o repertório dos estudantes.
O que a participação em olimpíadas científicas proporciona aos estudantes, para além do resultado das provas?
Vejo a participação nas olimpíadas por duas lentes principais. Elas são oportunidades para os alunos se desafiarem e terem um panorama do seu desempenho em nível nacional, já que a maioria das competições é estadual ou nacional. Assim, cada estudante consegue compreender como sua formação no Sidarta o posiciona em relação ao restante do Brasil.
A experiência também ajuda a desenvolver a autonomia e a testar os conhecimentos em matérias das quais o aluno mais gosta. É uma avaliação externa que vai muito além da sala de aula, resgatando e consolidando toda a bagagem que os alunos carregam desde os anos iniciais na escola.
Como essa aproximação com as olimpíadas vem sendo construída no cotidiano do Sidarta?
É um trabalho que vem desde os anos iniciais. Em todas as competições — inclusive naquelas que são exclusivas para o Ensino Médio —, os alunos acionam uma bagagem que começa a ser desenvolvida nos primeiros anos do Ensino Fundamental ou até na mesmo Educação Infantil.
A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), por exemplo, dialoga com conteúdos que trabalhamos desde os primeiros anos. Noções sobre o dia e a noite, as estações do ano e a influência da Lua já fazem parte do currículo da Educação Infantil e servem de base para a participação nas provas.

Que aprendizagens e habilidades as olimpíadas mobilizam de maneira diferente do dia a dia na sala de aula?
A principal é a autonomia. O próprio fato de o estudante escolher em qual área deseja ser avaliado por meio de um exame externo exige que ele se organize autonomamente.
Nem todas as provas são em papel ou aplicadas na própria escola. Algumas são digitais e outras exigem deslocamento para etapas presenciais em diferentes instituições.
Do ponto de vista acadêmico e socioemocional, o currículo do Colégio Sidarta oferece toda a base necessária. Mas competências já trabalhadas no dia-a-dia, como autogestão e senso de responsabilidade, são potencializadas de forma marcante por essas experiências em avaliações externas.
Ao longo da vida escolar, que relação com as avaliações você gostaria que os estudantes construíssem por meio dessas experiências?
O mais importante para nós é que eles compreendam a avaliação ou a prova não como um fator gerador de ansiedade, mas como um instrumento para mensurar o próprio desempenho. Essa é uma atitude que trabalhamos desde os ciclos iniciais no Colégio Sidarta, para que os alunos cheguem ao Ensino Médio enxergando os exames de maneira natural e tranquila.
A participação em olimpíadas contribui muito para essa mentalidade. Essas competições oferecem, para os estudantes, um primeiro contato com exames elaborados pelas mesmas bancas que formulam os principais vestibulares do país.
Além do aprendizado, essas experiências podem abrir portas concretas para o futuro. Diversas universidades oferecem vagas de ingresso direto relacionadas ao desempenho em olimpíadas acadêmicas. O histórico nessas competições também pode agregar valor no ensino superior. Temos relatos de pessoas que somaram pontos a partir dessas participações para pleitear bolsas de estudo no exterior, como o caso de uma professora que conheço, que conquistou uma bolsa integral de três anos na Austrália.
Se nossos estudantes puderem carregar essas vivências em suas trajetórias, um leque de novas oportunidades pode se abrir para cada um deles.
O que mais chamou sua atenção ao acompanhar as olimpíadas no Sidarta?
Quando cheguei, a primeira coisa que me impressionou foi o nível acadêmico extremamente elevado dos alunos. Eu nunca havia trabalhado com um estudante que tivesse avançado de fase na Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB), que considero, ao lado da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), uma das mais difíceis do Brasil. No Sidarta, não apenas tivemos alunos avançando até a fase final, como também conquistamos uma menção honrosa, com o Francisco, da 3ª série do Ensino Médio.
Outro ponto marcante aconteceu durante a aplicação da OBA com as turmas Ciclo 2. Nas minhas experiências anteriores, essa aplicação exigia um esforço muito grande de comunicação com as famílias, além de um trabalho prévio com as crianças para conter a ansiedade. Havia relatos de pais sobre noites mal dormidas e nervosismo.
Quando vim para o Sidarta, procurei a coordenadora Mônica para demonstrar essa preocupação e ela me tranquilizou dizendo que os estudantes já estavam habituados a encarar as avaliações de outro jeito, quase como um jogo ou um desafio.
Na prática, o resultado foi surpreendente: não tivemos nenhum relato de ansiedade por conta da prova. Além disso, alcançamos um desempenho acadêmico muito positivo. Isso reafirma o trabalho do Colégio Sidarta na forma como constrói e lida com os processos de avaliação.
Existe um trabalho de bastidores para que tudo isso aconteça?
Sim. Para que o estudante possa se concentrar na avaliação existe um trabalho de bastidores intenso e contínuo. Competições como a OBA, a OBF e a OBB têm várias etapas ao longo do ano, o que exige acompanhar calendários, resultados, inscrições, credenciais e convites para novas fases.
Para organizar esse fluxo, a estratégia passa por uma tutoria realizada pelo Bruno e por mim. Nosso papel é organizar os processos e orientar os estudantes para que eles compreendam o funcionamento de cada competição.
O Bruno faz a leitura detalhada dos regulamentos, analisa como as provas são estruturadas e define o suporte necessário para que o aluno possa se concentrar na parte acadêmica, que é aquilo em que, de fato, ele será avaliado. Também mantemos as coordenações dos Ciclos 2 e 3 atualizadas sobre participações, avanços de fase e medalhas.
Assim, além de garantir que nenhum prazo seja perdido, construímos um histórico consistente da participação dos estudantes e usamos esses dados para acompanhar resultados e aprimorar continuamente nossos processos.