
No Colégio Sidarta, estudantes do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental contam com um diferencial importante: aulas com professores especialistas, que também têm formação em Pedagogia.
Conversamos com 3 docentes, Carla Azevedo, de Ciências Humanas e da Natureza, Daniele Arsoli, de Língua Portuguesa, e Eduardo Passos, de Matemática, que nos explicaram os principais ganhos desta estratégia.
As entrevistas geraram um post no nosso perfil no Instagram. Por aqui, você confere a íntegra dos papos com cada um deles.
Carla Azevedo, professora de Ciências Humanas e da Natureza
Você já tinha dado aulas para para o 4º e 5º anos antes? Como é lidar com os pequenos e quais as principais diferenças pra uma turma de Fundamental 2?
Na verdade, já tinha lidado com a faixa etária, sim. Sou Bióloga, mas minha primeira formação é de Pedagoga. Atuei tanto no Sidarta, quanto em outras escolas, com turmas do Fundamental 1.
Acho que a grande diferença, além da linguagem que usamos, é fazer uma mediação de acordo com a autonomia dos alunos: os menores precisam de direcionamentos mais claros e do reforço destes direcionamentos, pois estão em fase de construção desta autonomia.
Já os maiores precisam ser orientados de modo claro e nosso papel é fazer os ajustes de acordo com a necessidade. É preciso sentir cada aluno, pois nem todos apresentam o mesmo desenvolvimento e alguns precisam também de um olhar mais constante.
O que você acha que a sua formação como professora especialista tem a contribuir para os pequenos? Você tem também uma formação em pedagogia?
Penso que todo especialista deveria ter também a Pedagogia, pois não adianta saber o que ensinar se não soubermos como ensinar. Isso faz toda a diferença! Um texto, por mais que tenha um tema interessante e nos interesse, se não tiver uma linguagem adequada, acaba desestimulando a leitura, e sinto que as aulas funcionam do mesmo modo. A Pedagogia se debruça em como os alunos aprendem e no modo de adequar isso para cada necessidade. Então, unindo os conhecimentos de especialista, que me permitem fazer uma curadoria mais adequada e aprofundar na medida certa o conteúdo, a Pedagogia me ajuda a “adequar a linguagem”, tornando o conhecimento acessível.

Entendo que a área de Ciências da Natureza tem uma relação direta com as Expedições Sidarta. Conta pra gente um pouquinho de como você consegue aprofundar o preparo deles para as viagens, e como consegue trabalhar os temas na volta, pra essa fase que eles se encontram.
Este ano, pretendo realizar os estudos para as Expedições usando um storytelling que mergulhe nos locais que serão visitados, a partir de uma narrativa que intencionalmente me dá ferramentas para explorar também as habilidades inerentes de cada série, deste modo posso contextualizar o conteúdo e já fazer uma inserção no universo que irão explorar.
No retorno, além de usar imagens e relatos que eles trarão, sempre realizamos a Plenária, que é o momento em que os alunos compartilham com nossa comunidade aquilo que aprenderam a partir de suas vivências. Estruturar este momento, em que eles falam sobre os conhecimentos, é um modo extremamente eficaz de sistematizar o conteúdo, afinal, aprendemos mais quando ensinamos o outro.
No site do Colégio, a gente descreve a etapa de 4º a 7º ano do EF como uma fase de sistematização de competências e construção de autonomia para o estudo. Como você enxerga a sua contribuição nesse lugar do amadurecimento escolar deles?
Aqui no colégio trabalhamos intensamente a abordagem do EPE (Ensino para Equidade), que foi desenvolvida pela professora Rachel Lotan, da universidade de Standford, a qual tivemos o prazer de receber alguns anos atrás, e que nos ajudou a estruturar este trabalho. Nesta abordagem, os alunos trabalham em grupos intencionais, desenvolvendo papéis específicos e são norteados por algumas normas que balizam sua conduta. Eles se sentem realmente responsáveis pelo próprio aprendizado e pelo aprendizado dos colegas, e percebem que o professor é mais uma das fontes que podem consultar, pois são estimulados a buscar as respostas para cumprirem as tarefas, que precisam ser sempre desafiadoras na medida certa. Nas minhas aulas, especificamente, procuro deixar isso muito claro: eu atuo como organizadora do momento de aprendizado, mas são eles os aprendizes e precisam agir para que a aprendizagem aconteça.
Daniele Arsoli, professora de Língua Portuguesa
Sabemos que você possui formação como professora especialista, além da formação em Pedagogia, e que atualmente leciona no Ensino Fundamental I. Você já havia trabalhado com essa faixa etária anteriormente? Como é lidar com os pequenos? Quais são as diferenças em relação ao Ensino Fundamental II?
Sou pedagoga e estou concluindo minha segunda licenciatura em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo, com habilitação em Português e Inglês. Tenho 24 anos de experiência na área da educação. Iniciei minha trajetória na Educação Infantil e, após cinco anos, fui convidada a lecionar para o 3º ano do Ensino Fundamental I. Desde então, permaneci atuando com essa faixa etária.
Nos últimos seis anos, atuei como professora especialista em outra instituição, também responsável por uma disciplina específica. No Sidarta, tenho a oportunidade de colocar em prática minha formação em Letras, lecionando Língua Portuguesa. No Ensino Fundamental II, tive experiência como orientadora de estudos, o que me proporcionou uma visão mais ampla das diferentes fases do desenvolvimento escolar.

De que maneira sua formação como professora especialista contribui para o trabalho com os alunos do Fundamental I?
Minha formação como professora especialista amplia a qualidade do trabalho pedagógico, possibilitando uma abordagem mais aprofundada da disciplina. Isso me permite analisar com mais critério os materiais utilizados, como sequências didáticas, atividades de oralidade, leitura, produção textual e análise linguística. Essa especialização me ajuda a planejar experiências de aprendizagem mais significativas e alinhadas às necessidades dos estudantes.
No site do Colégio, a etapa do 4º ao 7º ano do Ensino Fundamental é descrita como uma fase de sistematização de competências e construção de autonomia para o estudo. Como você enxerga sua contribuição nesse processo de amadurecimento escolar?
Essa etapa marca uma importante transição na vida escolar dos estudantes, que passam a integrar o Ciclo 2. Nesse momento, eles começam a desenvolver mais autonomia, passam a ter professores diferentes para cada disciplina e precisam organizar sua rotina com mais responsabilidade. Minha atuação contribui diretamente nesse processo, pois busco fomentar a autonomia dos alunos, incentivando o protagonismo, a organização e o pensamento crítico por meio da linguagem.
Eduardo Passos Junior, professor de Matemática
Entendo que você tem uma formação de professor especialista e está dando aulas para o Fundamental 1. Você já tinha dado aulas para esta faixa etária antes? Como é lidar com os pequenos? Quais as diferenças pra uma turma de Fundamental 2?
Eu já tinha experiência com turmas do Ensino Fundamental I antes de vir para o Sidarta e sinceramente essa é a faixa etária que eu mais gosto de trabalhar, é uma fase em que nós precisamos olhar para as crianças de uma forma integral, pensando não apenas no desenvolvimento cognitivo, mas também no emocional, social e até mesmo físico. Por isso a conexão que temos com os alunos é muito diferente das conexões dos professores de Ensino Fundamental II, nós criamos vínculos afetivos muito fortes, olhamos para as especificidades de cada aluno e pensamos em como podemos dar o nosso melhor para educá-los visando o crescimento e a autonomia. Nós educadores do Ensino Fundamental I, temos preocupações que vão além da disciplina que ministramos, nosso compromisso com o desenvolvimento de cada criança diz respeito a prepará-la para saber lidar com seus sentimentos, ter repertório social, saber respeitar a todos e a si mesma e contribuir de maneira positiva para o coletivo, tudo isso sem deixar de aguçar a curiosidade e a vontade de descobrir e aprender sobre o mundo em que vivemos e tudo que nós construímos.

O que você acha que a sua formação como professora especialista tem a contribuir para os pequenos? Você tem também uma formação em pedagogia?
Sim, eu sou pedagogo e acredito a formação em pedagogia seja essencial para o trabalho com os pequenos, mas a minha formação na área de matemática traz um domínio maior do conteúdo que eu leciono, me permite fazer conexões mais profundas com as crianças além de muitas vezes acessar conteúdos mais complexos, que crianças de 4° e 5° ano na maioria das vezes não acessam. Ano passado, por exemplo, fizemos uma atividade com o 5° ano que se chama quatro quatros, a atividade consistiu em criar expressões matemáticas usando apenas quatro algarismos 4 e encontrar resultados de 0 a 20. Por exemplo: 4 + 4 + 4 – 4 = 8, o mais importante nessa atividade era trabalhar a ordem de resolução dos fatores dentro de uma expressão numérica, mas as crianças gostaram muito e estavam super focadas em completar o desafio de encontrar todos os resultados, porém, para encontrar isso eles precisavam de saberes matemáticos que eles ainda não tiveram contato, como raiz quadrada e fatorial, que são conteúdos de Ensino Fundamental II, quando eu revelei isso para sala, a postura deles na hora foi “Edu, ensina isso para a gente agora!” e é claro que eu não ia perder a oportunidade de ensinar um conteúdo novo para os alunos que estavam cheios de vontade de aprender. E foi assim que o 5° ano teve o primeiro contato com fatorial, que é uma operação que eles vão aprender somente no 9° ano e aprofundar somente no ensino médio.
No site do Colégio, a gente descreve a etapa de 4º a 7º ano do EF como uma fase de sistematização de competências e construção de autonomia para o estudo. Como você enxerga a sua contribuição nesse lugar do amadurecimento escolar deles?
A ideia de professores com dupla formação para dar aulas no início do que chamamos de ciclo 2, traz o melhor dos dois mundos, os alunos já começam a se adaptar com professores especialistas, passam a compreender que estaremos disponíveis para eles durante as nossas aulas e não mais o dia todo como quando o professor é polivalente, o que exige muito mais autonomia por parte dos alunos, principalmente no que diz respeito à organização e hábitos de estudos, só que ao mesmo tempo, todos somos também pedagogos e temos experiência com as especificidades dessa faixa etária, temos um olhar atento para as individualidades dos nossos alunos e pensamos no desenvolvimento integral de cada um.