Saiba como o Laboratório de Inovação Social Sidarta está transformando estudantes em agentes de mudança

Ícone de relógio 5 min. de leitura

Em 2024, o Colégio Sidarta lançou o seu mais recente programa de aprendizagem baseada em projetos: o Laboratório de Inovação Social Sidarta (LISS). Voltado para turmas do 6º ao 9º ano, o projeto nasceu durante as eletivas de Tecnologias e a partir da troca de experiências com a comunidade Sidarta. 

Christel Scholten está envolvida com a iniciativa desde o seu nascimento: “Sou mãe de dois alunos aqui no Sidarta e, quando vi as apresentações dos protótipos no começo do ano, percebi o potencial de transformar isso em um laboratório de inovação social. Propus a ideia à equipe do Sidarta, que adorou, e começamos a estruturar o projeto.”

Com 2 aulas de 50 minutos por semana e sob a coordenação de Jaime Micheli Fontes, que está à frente do Departamento de Tecnologias do Instituto Sidarta, o LISS tem como base os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A partir da reflexão sobre esse tema, os alunos foram desafiados a idealizar projetos que ofereçam soluções reais para problemas do seu entorno. Com as propostas na cabeça, eles se dividiram em grupos multisseriados para cruzar conhecimentos de diferentes disciplinas e colaborar para colocar suas ideias em prática.

Quer saber mais sobre o LISS?
Entre em contato com a gente!

As aulas são realizadas no galpão da escola com o apoio de equipamentos como uma impressora 3D

“No Colégio Sidarta, acreditamos que o papel das instituições educacionais é apoiar o desenvolvimento de habilidades para que cada estudante seja o protagonista de sua história. O LISS visa desenvolver a autonomia, a criatividade, o senso crítico e a capacidade de resolução de problemas, dos mais simples aos mais complexos. Essas experiências integram teoria e prática para dar sentido à jornada de aprendizagem e para fomentar essa vontade destes jovens inventores em deixar suas marcas no planeta”, detalha Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta.

Outro diferencial do Laboratório de Inovação Social está na forma de tratar o conteúdo. Em vez de ser o ponto de partida, o conteúdo surge como uma ferramenta ao longo do processo de construção do conhecimento. “Nossa filosofia é inverter a lógica tradicional: o conteúdo não é mais o centro do ensino, ele é adjacente ao processo. Os alunos deixam de ser meros consumidores de tecnologia para se tornarem produtores de soluções inovadoras”, explica o coordenador do LISS. “Quando você oferece plena liberdade intelectual, os alunos assumem o processo de forma muito mais engajada”.

A importância da mentoria e das visitas de campo

Além das aulas com a equipe pedagógica da escola, o LISS conta com a participação de 18 mentores, familiares que decidiram contribuir voluntariamente com o laboratório, compartilhando suas experiências profissionais e pessoais. Profissionais de diferentes áreas, de engenheiros a músicos, os mentores atuam em um sistema de rodízio, orientando os estudantes em seus processos criativos, trazendo saberes e também ajudando a resolver gargalos. 

Primeiro encontro de mentores do programa, realizado no primeiro semestre de 2024

“Eu sou seu pai de 3 alunos aqui do colégio. Está sendo uma oportunidade incrível participar desse projeto e poder estimular os alunos a criarem projetos de impacto social. Fazer parte disso é muito rico e muito gratificante”, conta Anselmo Ribeiro Andriolo.

Para ampliar o repertório dos grupos, também foram organizadas visitas a instituições, como a Universidade de São Paulo (USP), a Natura e o Hospital Albert Einstein. Nestas ocasiões, os alunos puderam trocar ideias com profissionais especializados e, assim,  conceber melhorias para seus protótipos. 

Cristel, atualmente mentora do programa, acompanha o grupo de projetos relacionados à água, saneamento e geração de energia, que recentemente visitou uma estação de tratamento de água e esgoto. “Levamos 45 alunos para conhecer a realidade do rio próximo à escola, cheio de resíduos e lixo, para que eles entendessem o impacto ambiental. Depois, visitamos uma estação de tratamento de água em um condomínio local, onde eles puderam ver protótipos na prática”, conta ela.

Estudantes do LISS visitam uma estação de abastecimento de água e saneamento

Projetos que fazem a diferença

O Laboratório de Inovação Social Sidarta já conta com 32 projetos, divididos em 5 grandes áreas: água e saneamento, tecnologias diversas, saúde e bem-estar, comunicação e energia. Entre eles, destacam-se a criação de uma rádio para a escola, um esmalte para pessoas em tratamento de quimio e radioterapia, um drone para entrega de medicamentos em áreas isoladas, um sistema de energia eólica e hidráulica para abastecimento sustentável, uma cadeira de rodas motorizada, um exoesqueleto para melhorar a mobilidade física, um robô que atira bolas para pets, uma cama inteligente que se transforma em bote salva-vidas, e até uma pesquisa sobre sono e produtividade.

Mão na massa e criatividade para desenvolver os protótipos de cada solução

A mentoria desempenha um papel crucial no sucesso destes projetos: “Com o meu vizinho, consegui quatro bicicletas, já a minha madrasta doou uma cadeira de rodas para um dos projetos. É uma experiência muito legal.  Eu fico contando a segunda-feira pra vir aqui ajudar o pessoal”, conta a mãe e mentora Carolina Escobar sobre sua contribuição para o projeto da cadeira de rodas motorizada.

“A ideia é que a gente espalhe algumas caixas de som pela escola. Teremos uma sala de gravação de locução. Temos um time que é o time de conteúdo e um time técnico. Então os 25 alunos estão divididos nessas duas frentes de trabalho. E já com tudo pronto para fazer a gravação do primeiro programa!”, conta Denise Joerges, que está colaborando com o projeto da Rádio Sidarta.

Futuros passos do Laboratório de Inovação Social Sidarta

A Mostra Cultura 2024 será o momento em que os grupos do LISS apresentarão seus trabalhos à toda a comunidade. No entanto, como destaca o professor Jaime, esse é apenas o começo. “A Mostra celebra a primeira fase dos projetos, mas eles não se encerram aí. O próximo passo será aprimorar os protótipos, e eventualmente transformar alguns deles em startups, buscando até mesmo financiadores para viabilizar essas soluções.”

Em 2025, o Laboratório de Inovação Social continuará a pleno vapor. Os alunos do 9º ano levarão seus projetos para o Ensino Médio como parte das aulas de Iniciação Científica, e os estudantes das séries anteriores seguirão desenvolvendo suas soluções ao longo dos próximos anos.

Mentores e estudantes trabalham lado a lado a cada etapa dos projetos

As famílias Sidarta já consideram o programa uma parte vital da proposta pedagógica do Colégio. Vital também tem sido o papel que o coordenador Jaime exerce na condução do programa: “Com um olhar visionário e uma vasta experiência em tecnologias educacionais, Jaime tem sido fundamental na condução do LISS. Seus esforços têm despertado a consciência crítica nos alunos, preparando-os para serem agentes de mudança. Sua dedicação e paixão pelo ensino e a inovação são evidentes em cada aspecto do LISS, tornando-o uma figura central na promoção de uma educação que busca transformar o futuro”, celebra a mentora Erika de Godoy.

Colégio Sidarta